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MVP's Lounge #37 - Os dois indivíduos
Escrito por: Hugo Pais
Boas! Apesar de ter amanhã (mais) um exame, e serem horas da manhã, não quis passar mais uma semana em branco, e como até tinha um conflito de ideias a ruminarem-me a cabeça, decidi vir aqui escrever um pouco. É uma reflexão começada com o recente caso dos "corninhos" de Manuel Pinho. A minha pergunta é, até que ponto este tipo de atitude deve prejudicar alguém? Mas comecemos pela questão inicial, cuja resposta leva a esta. Imaginem que vos punham duas personalidades à frente. Uma de ânimos leves, irrequieta até, que falava e agia um pouco sem pensar, de cabeça fria. Vestia-se de forma normal e descontraída. Esta pessoa tem, contudo, o mais profundo conhecimento da sua área profissional, sabe as suas necessidades, onde se deve investir, quais as suas falhas, etc. Por outro lado, têm o típico político "tachista", ou seja, à procura de poder político. É uma pessoa calculista, que sabe estar, falar, persuadir, incentivar, moralizar, que tem noção do políticamente correcto, e que demonstra, ou aparenta demonstrar, capacidade de trabalho e vontade em vingar. Tem uma imagem impecável, sempre de fato e gravata. Não tem, contudo, a mesma aptidão, os mesmos conhecimentos, que o primeiro indivíduo tem, sempre e apenas na área que estamos a considerar. Mas propõe-se a trabalhar, a conhecer, a informar-se sobre a mesma. Agora, temos que escolher entre os dois para gerirem o futuro desta área. Qual escolher? Por um lado, votar no primeiro, traria respostas mais rápidas e eficientes. O segundo, por muito boa vontade que tenha, teria que se informar primeiro e aconselhar-se junto de pessoas como a primeira. Por outro lado, a imagem é fulcral na política. O saber estar, o saber falar, o saber o que se pode dizer/fazer e o que não se pode. Será correcto o primeiro indivíduo mandar umas bocas e fazer uns gestos obscenos, a alguém que não entende ou que não concorde à primeira, nem à segunda, e nem mesmo à teceira, com o que ele está a tentar explicar, por muita razão que possa ter? Não, tal atitude não é aceitável. Então o que é preferível? Um meio-termo, é claro. Alguém que perceba da área que trata, com experiência, de preferência, know-how, como se usa na gíria da Gestão, e que tenha, ou tente ter, as qualidades do segundo indivíduo, não obrigatoriamente tirando um curso de ciência política, mas por imitação dos seus colegas, sendo orientado por assessores de imagem, gestores de campanha, etc, e claro, a experiência aqui, como em todo o lado, dá frutos. Ou pensam que o Manuel Pinho volta a fazer uma daquelas? Nem oportunidade para tal deve voltar a ter, ele que pensava na altura estar a fazer algo de inocente e sem as consequências que teve. Ou então, como já disse, escolhendo o segundo indivíduo, dar-lhe tempo para se informar e "crescer", e esperar que este, depois de vasta deliberação, tome as decisões correctas. Chegamos então com a questão seguinte: o que é mais fácil/apropriado, o primeiro ficar como o segundo, ou o segundo como o primeiro, em busca do meio-termo? Esta é difícil. Eu, pessoalmente, vou pelo primeiro a tentar ter o carácter e dignidade do segundo, ou pelo menos a tentar, fazendo um esforço na duração do seu mandato. Mas isso sou eu, que como verão pela minha conclusão final, sou muito liberal nestas coisas. Escolho o primeiro, também, porque o segundo me faz parecer sempre que "segue ordens superiores", ou seja, que não pensa muito por si, e segue sempre o que os seus "padrinhos" lhe dizem. Os "padrinhos", são aqueles homens bem colocados, que metem os seus protegidos em áreas inferiores, mas que são onde se conquista o prestígio, pois também na política há uma escada a subir. Metem-nos à frente dessas áreas, muitas vezes, sem eles perceberem puto da coisa. Mas isso eu, que penso nisto em tons abstractos. Posso estar redondamente enganado, e ser tudo bem intencionado. O que nos leva então ao momento fulcral. Em que o primeiro individuo, cansado de tentar ser o segundo, tem um escape, onde menos poderia ter, e tem um deslize. Deve ser punido por isso? Deve ser rapidamente substituído? Depende da gravidade. Claro que não pode andar para aí a mostrar o dedo do meio a toda a gente. Ou até pode, mas que não seja a alguém que lhe faça pagar as consequências. Pois a política parece-me, muitas vezes, um jogo de poder, ee como jogo que é, tem as suas técnicas, e uma delas é a do "bota-abaixo". Rapidamente, um adversário político recorre à técnica de difamar o outro, para ele perder o seu cargo, e assim um novo cargo ficar disponível para o seu "lado". É este mal-dizer, este pedido imediato de demissões, enforcamentos, e afastamentos, que muitas vezes, torna o pequeno em grande, e afasta o primeiro indivíduo, para dar lugar a alguém mais perto do segundo. E então agora pergunto, até que ponto este tipo de atitude deve prejudicar alguém? Manuel Pinho, como muita gente veio a dizer a público (não todos, como é óbvio), fez um bom trabalho. Contudo, teve um deslize, um momento irreflectido, e deitou tudo, a 2 meses do final do seu trabalho, a perder. Todo o seu esforço, deixou de interessar, e a sua imagem só ficará associada a uma única. Tinha que se demitir? Tinha. Merecia-o? Na minha opinião, não. Mas isso sou eu, que dou mais importância a uma vida de aprendizagem e trabalho, que a um momento irreflectido. Os telejornais insistiram numa frase dele, que não o podia pôr mais longe do segundo indivíduo: "Não sou um político profissional" PS: Mas não pensem que ele ficou "tramado" para o resto da vida. Há postos de trabalhos em que não se sofre tanta pressão para se ser um indivíduo dois como o de político, em que se dá primazia ao indivíduo um. Manuel Pinho terá, com certeza, por esta altura, várias ofertas na mesa, e estará a ver qual delas é a mais vantajosa. Vejam lá uma clicando aqui. Até à próxima! Etiquetas: MVP, MVPs Lounge Não te esqueças de passar pelos nossos mais recentes artigos: Dexter argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
coitado do manuel pinho.... eu sinceramente, não ligo a esse tipo de atitudes. o que eles fazem lá é atacar-se uns aos outros, por isso que se comam, que se insultem, que se enrabem, simplesmente não quero saber, desde que façam o seu trabalho.
quando é que vais tu para lá? |
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