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Série por Encomenda - especial Make me a Supermodel
Escrito por: BG
Perdoem-me se esta semana não venho falar propriamente de uma série, pelo menos não de uma série conforme estavam à espera, é mais um programa ao estilo de reality show. E também não venho falar do programa propriamente dito, mas de um tema, que considero importante, principalmente na sociedade actual. Já tinha pensado na série desta semana, mas no Domingo à noite, quando fazia zapping pela TV descobri o programa Make me a Supermodel. Como o meu objectivo era ter um programa que não me despertasse muito o interesse, nem o sono, porque já eram horas de dormir, este aparentavasse perfeito: reality show em forma de casting, em que concorriam rapazes e raparigas, com o objectivo de fazer de um deles um Supermodelo. Na vida tem de a haver espaço para as futilidades, por isso, para uma mulher que se preze, um programa em que se vê moda, é sempre uma boa opção, desde que se ignore todas as dificuldades e intrigas que surgem num grupo, em que todos os membros concorrem por um mesmo prémio (que ainda por cima poderá mudar radicalmente a sua vida financeira – As minhas contas saíram furadas, porque ao contrário do que eu previa com a visualização deste programa, a minha mente ficou bastante dispersa, e dos modelitos propriamente ditos – os modelitos de roupa e não dos supermodelos – quase nem cheirei. E o que será que me despertou tanto a atenção neste programa, devem estar vocês a indagar? pois bem, aqui está a razão pela qual o considerei tão importante que até me levou a mudar a minha crónica e a escrever sobre este programa hoje. Pelo que percebi apanhei o programa mais ou menos a meio. No início devíamos ter seis rapazes e seis raparigas, neste episódio tinha saído um rapaz e uma rapariga, sobrando três de cada género. A fórmula de eliminações é a normal: o jurí nomeava todas as semanas dois rapazes e duas raparigas, votando o público entre esta selecção. Esta eliminatória e a escolha do público, tinham gerado muita controvérsia no seio daqueles que não haviam sido nomeados que consideravam muito injusto que a outra rapariga nomeada (Jen) tivesse sobrevivido à votação do público, porque o público tinha pena dela, mas ela era quem menos merecia porque era gorda e não se esforçava minimamente para emagrecer. Guerrinha típica de todos os reality shows, com ciúmes, invejas e intrigas… Mas não foi esta guerrinha que me chamou a atenção. E a vocês chamou alguma coisa a atenção naquilo que eu descrevi? Num concurso para Supermodelos, estava uma concorrente acusada de ser gorda pelos colegas e júris e que se recusava a passar fome para emagrecer. “Sou uma rapariga grande não posso lutar contra a minha natureza. Vou provar que é possível estar-se no mundo da moda com este perfil”, era mais ou menos a mensagem que a tal Jen passava. A realidade é que Jen tinha dificuldade em cada prova (sessões fotográficas e desfiles) que tinha que desempenhar, porque dificilmente cabia nas roupas seleccionadas. Em contrapartida, Marianne, outra concorrente que apostava na sua rivalidade com Jen, estando constantemente a estabelecer as contradições que havia entre si e ela, era elogiada pelos júris, fotógrafos, etc, por ser muito profissional e conseguir imagens fabulosas e ter o corpo indicado para ser uma supermodelo. Na verdade, as duas modelos tinham uma carinha perfeita, e que nós imaginamos em qualquer capa de revista., conforme podem confirmar aqui.
Marianne
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Jen
Estive a investigar um pouco na internet e percebi que Marianne e Jen chegaram ambas à final do programa, juntamente com dois rapazes. Marianne foi expulsa antes de Jen, que mesmo assim não venceu o programa (um dos vencedores foi um dos rapazes). A agência que acompanha o programa apressou-se a contratar Marianne, mas Jen não (entre as modelos femininas Jen foi a vencedora, pois foi a última a ser eliminada). Mesmo assim, esta teve uma proposta de uma agência conceituada que não lhe exigia que emagrecesse, mas ela desistiu passado uns tempos de ser modelo para ser uma modelo XL (!) porque não conseguia ganhar nenhum casting, nem cabia nas roupas que os contratantes exigiam e não queria prejudicar mais a agência. Jen não é propriamente magra, ok. , mas daí a ser gorda…
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Se uma pessoa é naturalmente magra e daí não advém nenhum problema para a saúde, não vejo nada de mal. Uma pessoa tem tanto direito a ser magra como mais cheiinha. O que me incomoda é que não é isso que se transmite. O que se transmite é que custe o que custar tu tens que submeter o teu corpo às exigências da sociedade nem que isso te torne doente.
O que me choca realmente é que se passe esta ideia num programa, que pelo que percebi tinha bastante sucesso no Reino Unido, tanto que teve spin off pelos Estados Unidos e pela Austrália. Choca-me que nos tempos de hoje (foi em 2006, mas esta é uma discussão de largos anos), em que todos sabemos a importância dos veículos de comunicação na formação das personalidades, em que os modelos da sociedade têm responsabilidades nas imagens que passam aos jovens e em que doenças graves como a bulimia e a anorexia afectam imensas pessoas no mundo, se esteja a chamar de gorda uma mulher normal. Choca-me, que apesar de todos sabermos que as modelos têm que ser magras (será que têm?), se insista na ideia que elas devam parecer mal nutridas e doentes. Choca-me que mais do que veincular esta ideia numa passerele ou numa revista com belos trabalhos fotográficos, se veincule num programa de televisão e se diga com todas as letras que uma boa imagem é a de uma magreza extrema, e por isso tens que te esforçar ao máximo para a ter.Choca-me que se fale tanto nestes problemas e nas mudanças necessárias, e se faça/mude tão pouco. Choca-me a comparação da modelo gorda com a modelo de corpo perfeito!
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Choca-me! Simplesmente choca-me!
Etiquetas: Série por encomenda Não te esqueças de passar pelos nossos mais recentes artigos: WingedCloud argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
O que posso dizer mais??
tens toda a razao!! bom trabalho :) cumps Dexter argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
esta é a nossa infeliz realidade!
mais de metade das mulheres hoje em dia, principalmente as mais bonitas e jeitosas são à base de produtos e plastico.... bom trabalho Hugo Pais argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Bom post, diferente do habitual, mas acho que conseguis-te bem passar de um programa para um texto já tipo crónica.
Realmente, chamar à Jen gorda é mesmo exagerado... Mas tbm percebo que o mundo da moda seja mais exigente, só acho que não deviam fechar assim tanto as portas a pessoas maiores (ou então, quem vai usar os fatos das modelos sem serem elas próprias?), e claro, não sep ode cair nos extremos pouco saudáveis que referis-te da anorexia e bulimia. Fica bem A verdade é que a moda é feita sobretudo por gays e foram eles que instituiram este modelo com cara doente e corpo sem formas. Se compararmos (vejam bem o ar anémico da Marianne: as olheiras, o ar enjoado de Marianne insuportável!!). Ninguém gosta nem de gente demasiado gorda nem demasiado magra. Jen tem muito mais impacto, fica muito mais bonita nas roupas e tem muito mais presença e sensualidade que a esquelética e enjoada Marianne, além de ser muito menos bonita. A ditadura da magreza imposta por gente ridícula da área da moda é inaceitável. Repararam no júri do concurso? Repararam como era ridículo uma mulher gorda que fazia parte do júri maltratar Jen de forma grotesca?!As pessoas nem sequer educação têm actualmente. Na maioria dos concursos internacionais, trata-se os outros sem o menor respeito, com total falta de educação. Mas o que é mais hilariante é ter um fotógrafo ridículo e uma mulher gorda a tratar mal Jen. Achei repugnante e a elogiar uma mulher com um ar doente (Marianne).
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