Pensamentos e Reflexões V - "Amo-te muito @" :: Nunca Antes Visto
Pensamentos e Reflexões V - "Amo-te muito @"
Escrito por: Anónimo
Então não amas?

Desde o primórdio dos tempos que se fala sobre o amor, se escreve cobre o amor, se canta sobre o amor e claro, se faz amor. O amor tem disto - é um bocadinho transformista e dá para tudo o que é lado.

Todos nós já amámos alguém, ou pelo menos pensamos que o fizemos. Normalmente isto acontece com a primeira namorada a sério e não com aquela badalhoca com quem trocamos saliva atrás de um pavilhão de escola ranhoso e, como quem não quer a coisa, "apalpa" terreno.

Já ouvi (e vi) quem chame a isto amor. "Ai amo tanto aquela gaja de mamas grandes e cu bom com quem tive cinco minutos...", e apenas cinco minutos porque as escolas têm mais rapazes. No entanto, a primeira experiência carnal de muita gente (rapazes e raparigas) faz pensar logo na palavra amor, isto porque ficaram um bocadito húmidos e acham que isso revela uma paixão ardente.

Embora ache que o amor é algo muito mais "puro", vejo-me forçado a encarar isto com naturalidade, visto que a nossa sociedade o faz. E remar contra ventos e marés é difícil. É banal assaltar uma pessoa, e banal roubar um carro, é banal furtar uma bomba de gasolina e, pelos vistos, e banal dizer "amo-te". Diz-se a torto e a direito, por vezes sem motivo. Mas está na moda, e como está na moda deve dizer-se.

Não só é banal dizer "amo-te" como cada vez é mais banal os sítios onde se demonstra esse afecto. Há quem esteja com o namorado/namorada uma vez por semana e gaste as 1500 sms's grátis oferecidas pelas operadoras de telemóvel a dizer "amo-te". Já vi destas pseudo-conversas, onde proliferam o "amO-te buéx@" e outras tretas do género. Para além de ofenderem a língua portuguesa e gastarem a bateria do telemóvel, ofendem também o amor.

É certo que o amor é algo difícil de definir, e talvez seja isso que o torna especial. A tal complexidade que o rodeia e que o torna um sentimento que se vive, e não que se explica. Isto claro, visto pelos olhos de um rapaz mais "old-school" como eu. Para muitos o amor mostra-se no hi5, cagando a página de perfil com corações que no caso dos rapazes só contribui para que a sua sexualidade seja discutida até à exaustão. E quem diz hi5 fala, claro, dos nicks extremamente "lindos" no MSN, com corações, estrelinhas, sorrisos e outras macacadas.

Eu não condeno quem o faz. Certamente que o motivo é bom. Afinal, procura demonstrar aos outros que está feliz. O que me faz pensar se será assim tão necessário este tipo de exibicionismo barato. Exaltação do amor ou estado de solidão?

E eu, olhando para isto tudo, questiono-me - será que alguém sabe o que é amar?

Fiquem bem ;)

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Blogger Lumo ™ argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Andas muito romântico. xD
Bom texto, mas as 1500 sms podem-se gastar em outras coisas que não o "amu t buéx@".

De uma forma geral toda a gente já o sentiu, mas nem todos sabem o que é.

Sayonara
16 de setembro de 2008 às 11:48  
Anonymous Anónimo argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Obviamente que tudo isto é visto com uma perspectiva humorística. Não venho aqui julgar ninguém :D
16 de setembro de 2008 às 13:55  
Blogger Ana Campos argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Grande post
16 de setembro de 2008 às 18:20  
Blogger Dexter argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
eu sei, queres que te explique? XD

grande texto, e tens razão


mas olha lá, responde-me a isto, tu não tinhas uns corações noutro dia na mensagem do msn? :O
16 de setembro de 2008 às 19:06  
Blogger Unknown argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Eu sempre soube que me amavas :$
16 de setembro de 2008 às 21:55  
Blogger Hugo Pais argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Boas Puakas, parabens pelo teu texto, é preciso coragem, lol. Eu uma vez quis fazer algo parecido, simplesmente há casos que dão vómitos, tal é a quantidade de merditas que fazem pela internet em hi5s e assim, e "amo-te" tornou-se algo banal mesmo.

Cumps
16 de setembro de 2008 às 21:59  
Anonymous Anónimo argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
Tinha, mas não era por esse "amor" que aqui falo. Atenção, eu não condeno que se tenha, mas sim o uso abusivo e por vezes ridículo que se faz disso. Qual é a necessidade? Juro que não entendo :x
17 de setembro de 2008 às 14:48  
Anonymous Anónimo argumenta de forma nunca antes vista, dizendo...
"Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não." --Almeida Garrett




Andava a gozar o excesso de tempo de livre pós laboral, e encontrei o teu texto, tive uma sensação de dejavu e resolvi então partilhar este poema do mestre..

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Saudaões pseudofilosóficas=)
Mónica
6 de junho de 2009 às 17:36